Esqueça o outsourcing. O negócio agora é o crowdsourcing
Claro, estou exagerando. Há alguns meses um artigo na revista Wired chamado The Rise of Crowdsourcing mostrou como a multidão pode ajudar organizações a completar tarefas e diminuir custos. O crowdsourcing é o “novo lugar da mão-de-obra barata: pessoas no dia-a-dia usando seus momentos ociosos para criar conteúdo, resolver problemas e até mesmo para pesquisa e desenvolvimento”.
Netflix
A Netflix é uma locadora de DVD’s dos EUA que aluga filmes pela internet e entrega pelos correios. Quebrou paradigmas e fez a Blockbuster rever seu negócio. Mas o que traz a Netflix para este artigo é que acabam de anunciar um prêmio de US$ 1 milhão a quem (sim, qualquer pessoa) desenvolver um algoritimo 10 % melhor no quesito sugestão de filmes do que o sistema atual deles. Já que exploram a Cauda Longa dos filmes, querem que as sugestões atinjam de forma mais certeira os gostos pessoais de cada um. É a essência do crowdsourcing: colocam a multidão para trabalhar e se alguém conseguir resultados, pagam.
Recentemente o Google lançou um jogo on-line chamado Google Image Labeler. Um claro exemplo de crowdsourcing. As duplas precisam dar nomes às imagens que vão aparecendo na tela. Ganha-se pontos se os dois (desconhecidos entre si, localizados em diferentes partes da Terra) derem o mesmo nome à figura. Parece algo idiota mas é na verdade uma grande sacada. Ao invés de contratar pessoas para identificar as imagens, o Google resolveu usar o poder da multidão para completar a tarefa. Pessoas aleatórias ao redor do mundo jogam em duplas e ganham pontos. Essa é a recompensa delas. Dessa forma o Google consegue identificar milhões e milhões de imagens de forma rápida e barata.
DARPA
Não, nada a ver com o seriado Lost. Lá a sigla onipresente é DHARMA. O DARPA é um órgão militar do governo americano que faz pesquisas. E não é que eles usam o crowdsourcing para melhorar essas pesquisas? Desde 2004 organizam uma competição de carros robôs guiados por inteligência artificial. No ano passado finalmente um carro totalmente controlado por computadores conseguiu terminar a prova realizada no deserto. O próximo desafio é um carro inteligente conseguir trafegar em vias urbanas. Claro, os vencedores ganham um prêmio.
Juntando as peças
A Netflix e o DARPA procuram soluções para seus problemas. Mas investir internamente ou contratar outra empresa para realizar pesquisas sairia muito caro. A solução encontrada é deixar a multidão pensar. Centenas, milhares, talvez milhões de pessoas em um brainstorm. Uma ou outra idéia boa deve surgir, mas quase tudo é lixo. A vantagem: só se paga por resultado, ou seja, o custo pode parecer alto, mas dividido pela quantidade de cérebros envolvidos, acaba sendo um ótimo negócio.
O Google não paga em dinheiro, e sim em pontos. Dos pontos surge um ranking que gera satisfação para os que lá figuram. Tarefa realizada. E melhor: nada de problemas trabalhistas.
15 comentários
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Sabia o conceito, mas não sabia que o nome era este: Crowdsourcing.
É realmente uma jogada muito interessante.
Acho que você só esqueceu de citar (se é que realmente entra neste quesito) são as Wikis, o Digg, o EuCurti, que também conta com o poder das multidões para gerar conteúdo.
Parabéns pelo artigo!
Olá Rafael!
Realmente é um conceito bastante usado inclusive nesses sites ditos sociais que vc citou. Acabei por não colocá-los no artigo pois o mesmo já estava grande e pra falar a verdade já tinha cortado um pedaço… Mas leitores como vc fazem a associação e isso é ótimo! É o conteúdo gerado pelo usuário!
A idéia para escrever tal texto já estava na minha “lista” há algum tempo… finalmente tive coragem de publicá-lo… hehe! Obrigado pelo elogio ao artigo!
Arahhh!! Quer dizer então que você não colocou apenas para fazer um Crowdsourcing com seus usuários né ???
Tá ficando espertinho igual ao Google hein rapaz…
hahahahaha!!!!
[]’s
Hehehe! Por aí, hehehe!
Mas exatamente isso que é interessante em um blog: a interação e o acréscimo de informações pelos leitores, um mecanismo saudável de discussão! Não tinha pensado isso como crowdsourcing mas pode até ser! É uma extensão do conceito, hehe!
Olá Alexandre
Meu noome é Renato, sou co-fundador da Syxt.com.br e o Rec6.com.br
Desculpe-me pelo comentário m pouco fora de contexto, mas estou passando aqui para parabenizá-lo pelo blog. O conteúdo é excelente.
São poucos os blogs de tecnologia que conseguem gerar conteúdo de qualidade. O seu, o do Diogo Azevedo e alguns outros poucos realmente valem a pena.
Um grande abraço
Renato
Olá Renato!
Sinto-me lisonjeado e honrado com seu comentário! O Rec6 é uma das startups brasileiras que tenho acompanhado de perto. E acho que é o que mais se parece com o Digg, que creio foi a inspiração. Parabéns também!
Ah, e o comentário está sim relacionado ao post. Afinal o Rec6 aplica muito bem o crowdsourcing!
Muito bom este texto..
Parabéns!!!
Olá Willy!
Agradeço e fico feliz que tenha gostado do texto. Abraços!
OutroLado: moldado pela multidão…
Há cerca de um mês surgia o OutroLado. A proposta do serviço seria publicar textos originais de autores com o intuito colaborativo. Além de votos o autor ganharia divulgação pois o OutroLado está ligado ao conhecido WebInsider. Logo no lançamen…
[...] Digg é quase a expressão máxima da sabedoria das multidões, do crowdsourcing e da colaboração em tempo real. Lá as pessoas postam, votam e definem o que é importante para [...]
Olá, Alexandre. Muito bom e oportuno seu artigo. Vai me servir de argumento quando retornar das férias na Faculdade (Jornalismo, 2º semestre) e continuar debate com os colegas sobre o poder de manipulação e de exploração da Internet, que, afirmo, suplantou as mídias tradicionais. A crítica ainda se debruça sobre a Tv e o jornal, principalmente, e a partir de conceitos de décadas atrás. Parabéns. Abraço. Luís Bustamante (53 anos,publicitário e estudante de jornalismo).
Luís,
Sim, é um assunto fascinante que incentivo a compartilhar com seus colegas do curso de jornalismo. A web está trazendo uma série de mudanças nas relações de trabalho e o crowdsourcing é algo realmente interessante.
Abraços!
Alexandre, parabéns pelo artigo. Sou estudante de Sistemas de Informação e o crowdsourcing é um assunto realmente fascinante…e só complementando um pouco mais, algumas comunidades de portais como uolkut, orkut, e outros do tipo, também utilizam (talves até sem perceberem) o crowdsourcing…apesar do nível de “informações e culturas inúteis” ser bem alto.
Mas enfim, ressalto o que o Renato falou a respeito dos blogs… são poucos os que conseguem expor conteúdo de qualidade. E o seu realmente valem a pena ler. Continue assim!
Grande Abraço e mais uma vez, parabéns.
Gilvan,
Sim, crowdsourcing é fascinante! Considero que muito das redes sociais é crowdsourcing, colaboração, essas coisas.
Agradeço que goste do Techbits.
Abraços e obrigado!
[...] mundo sabe que Jimmy Wales toca sua Wikipedia com base em crowdsourcing e doações, muito mais o primeiro. O acordo com a editora alemã lhe renderá US$ 1,59 por cópia [...]